Roberto Perdigão revive tempos áureos do surf no Farol de Santa Marta
Categorias: Competição, Notícias - 01 de jul de 2010

Junior Faria comemorando sua vitória no South to South Santa Marta Pro. Foto: Daniel Smorigo / ASP South America
A realização do South to South Santa Marta Pro, etapa cinco estrelas do WQS, encerrada no último domingo (27/06), na Praia do Cardoso, no Farol de Santa Marta, em Laguna, litoral sul de Santa Catarina, com a vitória do paulista Junior Faria, mexeu com a cabeça e sentimentos de muita gente. O ambiente root em que o campeonato foi realizado reportou aos mais “antigos” às lembranças de quando o surf ainda era pouco conhecido no país.
Para Roberto Perdigão, diretor regional da ASP South America, o Farol de Santa Marta ainda guarda um estilo de vida bem próximo dos anos 70, quando o local era explorado por surfistas aventureiros. “Aqui tem altas ondas, é um lugar que representa bastante a essência do surf: praia, onda, lugar bonito, terral, você come peixe fresco, tudo isso leva a gente a 30 anos atrás, quando o Sul surge no roteiro dos surfistas de São Paulo, do Rio e do nordeste. Muita gente vinha atraído pelas histórias e Imbituba era o centro daquela época”.
Apesar do tempo decorrido, as ondas do Farol ainda são poucas conhecidas. “O espírito que a gente viu aqui durante o campeonato em um lugar selvagem, que poucos conheciam, muitos estavam aqui pela primeira vez, e tiveram experiências de surf interessante. Pegaram onda na Prainha, Cigana, Tereza, muitos usufruíram do cardápio do Farol”, conta. “Foi uma oportunidade única que a South to South, a Mídia Express e a In Loco, ofereceram ao surf brasileiro”.
Assistindo o pôr do sol de domingo, Perdigão relembra as primeiras investidas nas ondas do Cabo de Santa Marta. “O Farol é único por causa de todo esse contexto, é um lugar conhecido pela galera das antigas, tem uma cultura de surf, muita gente já morou aqui. Ricardo Bocão vinha pra cá, Ronaldão um amigo nosso do Rio morava na frente da Praia do Farol, o meu amigo Antonio Catão cercou um terreno, enfim é uma área que tem toda uma bagagem do surf. A paulicéia, o pessoal do Rio Grande do Sul, a turma toda freqüentava aqui”.
O Cabo de Santa Marta estava no trajeto para chegar em Imbituba. “O centro do surf era Imbituba, praia da Vila, mas quando a ondulação estava de sul, os caras iam para o Porto, Laguna ou vinham para o Farol. Só depois que se descobriu que aqui tem onda de nordeste, mas era uma região meio esquecida e que agora está tendo que aparecer”, pondera. Para o dirigente, a nova opção no calendário mundial trará crescimento. “Hoje temos Imbituba com CT e agora aqui com o QS. Tudo isso é bom para o município, é bom para as pessoas que freqüentam. É sensacional ter o Farol no calendário da ASP”.
O evento - Uma das características marcantes do South to South Santa Marta Pro foi a mobilidade de procurar as melhores ondas. No primeiro dia de competição, a organização do evento teve que montar sua estrutura nas dunas próxima à vila dos pescadores e somente no final de semana foi utilizado o palanque principal montado no meio da Praia do Cardoso. “O campeonato móvel aqui, além de ter que ser muito bem planejado, se bem sucedido, agrega muito valor ao surf, e foi isso que aconteceu”, comemora Perdigão.
“Foi sensacional o encerramento, tanto os surfistas que competiram como as pessoas que fizeram parte do staff, os juizes internacionais do Hawaii e EUA, todos ficaram bastante felizes com o desfecho. O campeonato acabou bem, o fim de semana acabou bem, coincidiu com as ondas chegando, com sol, terral, sábado final de tarde legal. Tudo isso serve para mostrar a importância do evento ter mobilidade, a busca pela melhor condição, principalmente aqui no Farol que temos várias opções desde Laguna, no Molhe até a Cigana. Não é fácil colocar um evento desse de pé acontecendo, principalmente bem sucedido, bem realizado e foi um sucesso literalmente falando em termo de público, de tudo. Para nós é uma satisfação ter esse novo evento no calendário, um lugar com esse potencial de surf e dando partida logo em grande estilo”.
Futuro - O ano de 2010 está sendo um novo marco para o surf brasileiro. Segundo Roberto Perdigão, o êxito nas etapas já realizadas e a chegada de novos campeonatos colaboram na construção positiva do esporte. “Com o calendário grande deste ano, temos a oportunidade de mostrar ainda mais o nosso trabalho, que aqui tem onda, que não é um país sem ondas, e isso é bom para tirar a imagem que surfista brasileiro é merrequeiro”.
A etapa do Farol mais as boas ondulações reforçam o trabalho. “O fato de ter acontecido este campeonato na Praia do Cardoso, com ondas boas no sábado, domingo, e também na terça quando começou e depois na quarta, para o Brasil é super positivo e soma aos outros eventos. Já tivemos a Praia Mole com onda, Ubatuba deu altas na final do SuperSurf em Itamambuca, Saquarema foi de gala, Noronha altas ondas, então tudo isso mostra que o país tem carta na manga, está no mesmo nipe dos gringos, é um processo de amadurecimento”.
Diante disso tudo, a expectativa é a melhor possível. “Estamos vivendo um momento super especial, isso devido a dedicação de um monte de gente, investimento de várias empresas, marcas, imprensa que está fazendo um trabalho cada vez mais técnico e tudo isso está ajudando. O Brasil está aos poucos galgando um lugar, conquistando, consolidando um espaço importante dentro da comunidade internacional”, garante o dirigente que está na ASP desde 1992. “O SuperSurf é outra conquista para o surf brasileiro, uma empresa como a Abril que está há 11 anos dando suporte, fazendo um trabalho de primeira linha e agora focando mais no QS para dar chance à nova geração ter acesso ao circuito mundial”, continua.
“Antigamente era o negócio do Brasil Nuts, meio para o romantismo, para os malucos. Hoje em dia não, os caras respeitam porque nenhum país do mundo tem o número de eventos que temos aqui e nenhum deles tem o perfil geopolítico que o Brasil tem, então somos uma ameaça, uma potência do surf mundial e aos poucos vamos tomando ciência disso, vamos nos acostumando, amadurecendo essa posição”, explana Perdigão. “Essa geração nova está com uma outra atitude, totalmente diferente, uma outra visão do que é competição”, afirma.
Por Marcos André Araújo

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